domingo, 11 de maio de 2008

O meu curto conto de amor (2)

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Lá vai ela de sandalias deviando-se das pedras que se atravessam no seu caminho com receio que uma delas a possa fazer cair. Lá no meio do imenso jardim as plantas pareciam sorrir-lhe e o cheiro a verde entranhava-se pelas suas narinas. Mas porque que haveria de estar a sentir tudo isto, se tantas tinham sido as vezes que ali tinham passado e nunca o mesmo tinha acontecido. Era uma sensaçao tao estranha e mutuamente tao boa. Lembro-se dos tempos de criança que ha muito nao tinham sido mas que lhe pareciam ter sido a seculos, recorda-se dos caracois a saltitar e dos pes a bater-lhe no rabo de tanto correr em busca do baloiço do parque que tanto adorava. Uma dessa vezes, uma triste vez, de tanto correr as malditas pedras fizeram-na cair no chao, esfolou os joelhos e os caracois do seu cabelo ficaram tristes, era essa a justificaçao que tinha para ter tanto medo das pedritas que se queriam ainda fazer notar naquele jardim. Mas essas sao lembraças e agora sabia que nao poderia haver mais dores nos joelhos por causa das malditas pedras e que muito menos se iria a por a correr pelo jardim fora e busca do tal baloiço. Tinha crescido e agora a unica coisa que a poderia fazer magoar eram mesmo as pessoas, essa sim todas tinham o dom de saber magoar! Mas ela propria possui-a esse dom, todos possuimos.
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